Política

A agonia do Governo Bolsonaro

Campanha de boicote a produtos brasileiros lançada na Alemanha, devido o desmatamento na Amazônia.

Em um outro momento, em um outro governo, os diversos fatos e procedimentos negativos que marcam a atual presidência, já seriam o bastante para um aceno de impeachment. Quem não suporta mais tantos sinais de desgoverno, deve se perguntar também por que tanta morosidade. Esbarros nos 30% de aprovação positiva, a pandemia atual e  o processo legítimo da democracia, parecem emperrar o tão sonhado “Fora Bolsonaro” se concretizar. A excessão deste último fator claro, e podem acreditar, se não fosse o processo democrático em vigor e alimentado por muitos, estaríamos bem piores do que agora. Não fosse o processo democrático, nem mesmo essa matéria você estaria lendo. E esse mesmo processo parece prestar mais uma vez um serviço maior á  sociedade do que um simples impeachment. A exposição quase  cômica do atual presidente ás armadilhas que ele mesmo criou para si, parece estar sendo o seu  maior castigo . Tiranos odeiam ser expostos. Fortalecer a democracia parece ser o melhor caminho contra o presidente  e aliados.

Não vou aqui engrossar o coro do  “ bem feito pegou Covid “ . Tenho parentes e amigos que não gostaria de ver doente. Portanto, vida longa ao “homem” Jair Bolsonaro. Quanto ao Presidente Jair Bolsonaro, quem quiser que tire as suas próprias conclusões. Assistimos, a uma comissão de trinta e seis empresas, que se reuniram com o vice-presidente Hamilton Mourão, para discutir as pífias ações do governo a favor da Amazônia. Essa falta de ação tem maculado a imagem do país e consequentemente atrapalhado negociações positivas com parceiros e investidores.

Enquanto isso o partido político em formação, que terá Jair Bolsonaro & Cia como protagonistas, conseguiu apenas 15.721 assinaturas para a sua formação, são necessárias 492 mil assinaturas, ou seja o partido conseguiu apenas 3.2% . Não falamos ainda do processo em curso contra seu filho, Eduardo Bolsonaro, do Facebook, que baniu perfis ligados a “fake news” comprometendo assessores ligados ao presidente, das trezentos e cinqüenta movimentações em seu gabinete quando era então deputado, sua suposta intervenção na Polícia Federal e finalmente, qual seria sua ligação com o fato de Fabrício Queiroz ter sido encontrado na casa de Frederick Wasse, seu advogado.

Essa maratona de episódios, pode ou deveria fazer pensar um pouco melhor, todos aqueles que insistem em manter esse governo nos 30% de aprovação e elegê-lo a condição de mito.

Apoiar um candidato se faz necessário acompanhar também as suas realizações. Assim quem apóia Jair Bolsonaro deve apoiar também os desmanches na Cultura, na Educação, no Meio Ambiente e na Saúde quando a população não tem sequer um Ministro e cada estado tem que usar a sua autonomia, também firmada no processo democrático, para fazer alguma coisa pela sociedade governada.

Não é o bastante ainda ? Então vamos somar a tudo isso aos discursos do presidente contrariando as orientações da Organização Mundial da Saúde, que expôs a sua nula capacidade de um mínimo olhar social ás mazelas do país que se propôs a governar.

Que ninguém use a liberação do Auxílio Emergencial, onde muitos sequer tiveram ainda acesso, para justificar, alguma qualidade ao atual governo. O valor deste, R$ 600,00, foi uma vitória do congresso, uma das bases da Constituição Democrática, se opondo aos R$ 200,00, que foi a primeira opção do presidente. E para quem não sabe, assegurar a dignidade humana é um dever constitucional.

Deixo para outros veículos falarem do desgoverno, já o fazem melhor, que eu. Quero chegar ao caminho que percorremos, longo parece, mas necessário, para o desarme de um governo que havia traçado um plano maquiavélico para se tornar protagonista absoluto no poder e com intenções hereditárias. A teia armada por ele, filhos e aliados, começou a ser desmanchada, se não pelo processo de impeachment, mas pelos caminhos legais da democracia, expurgando aos poucos mais esse mau que se instalou no coração do poder nacional. Quando queremos curar uma ferida o primeiro passo é identificá-la e deixá-la exposta. Isso já foi feito pelo Facebook, ao eliminar perfis falsos que disseminavam notícias falsas sobre instituições verdadeiras, as mesmas que varreram dos nossos dias, anos de ditadura e assassinatos de pessoas e idéias.

Creio que o mais perigoso “depoimento” proferido pelo então presidente, não foi a famosa frase “ não sou coveiro” diante dos números de mortos pelo Coronavírus. Considero “ eu sou a constituição”  frase mais pretensiosa e que revela as suas verdadeiras intenções.

Necessário aumentar nossa paciência e acreditarmos no processo democrático, que até agora limitou ao máximo os avanços do desgoverno, que depois da prisão de Fabrício Queiroz, inaugurou um período de paz e amor, e também pela sua infecção ao coronavírus, a que ele mesmo se expôs.

Lembrem-se, ditadores usam a força e o grito para impor as suas idéias.

A democracia usa processos mais sutis e muito mais seguros para se estabelecer.

Deixamos aqui um lembrete de Mahatma Gandhi, aquele que venceu um império entregando flores ao inimigo :

“ Quando me desespero, lembro-me de que em toda a História a verdade e o amor sempre venceram. Houveram tiranos e assassinos e, por um tempo, pareciam invencíveis mas, no final, sempre caíram. Pense nisso ! Sempre . “

O dia a dia do desmanche de um governo : *

15 a 21 de Março – Bolsonaro participa de atos contra o Congresso e o STF. Minimiza a pandemia.

22 a 28 de Março – Chama a pandemia de “gripezinha” e incentiva a abertura do comércio.

29 a 04 de Abril –  Visita comércio em Brasília provoca aglomeração e critica o então Ministro da Saúde.

05 a 11 de Abril –  Ameaça usar “a caneta”  contra alguns ministros “que viraram estrelas”.

12 a 18 de Abril – Demissão do Ministro Mandetta, STF decide que estados tem autonomia.

19 a 25 de abril – Novo Ministro da Saúde assume e o Ministro da Segurança, Sergio Moro, pede demissão.

26 de Abril a 02 de Maio – STF, Celso de Mello, abre inquérito para apurar acusações de Moro.

03 a 09 de Maio – Presidente retruca com STF pela suspensão de Alexandre Ramagem para a PF.

10 a 16 de Maio –  Nelson Teich, segundo Ministro da Saúde, pede demissão.

17 a 22 de Maio – Paulo Marinho, diz á Folha, que Flávio Bolsonaro recebia informações da PF.

23 de Maio – Vídeo de reunião ministerial é exibido e choca políticos e sociedade .

24 a 30 de Maio – Apoiadores do governo são alvo de investigação no inquérito das fake-news

31 de Maio a 06 de Junho – Movimentos contra o governo começam a criar força.

07 a 13/06 – Supremo determina que Saúde use de transparência nos dados da pandemia.

14 a 20/06 – Fabrício Queiroz é preso em casa de advogado da família Bolsonaro.

21 a 27/06 – Bolsonaro muda o tom após prisão de Queiroz.

13/07 – Ministro Gilmar Mendes do STF, critica presença do exército na Saúde

24/07 – Perfis de bolsonaristas são bloqueadas em redes sociais

26/07 – Em carta, 152 Bispos criticam o governo Bolsonaro

*Fonte : Folha de São Paulo

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