Espiritualidade

Ações que nos revelam

Por  Efigênia Amendani

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A humanidade colhe os frutos das sementes que plantou em tempos difíceis.

Mas, a Espiritualidade amiga, que a tudo assiste, observa aquele que sofre, respeitando o livre arbítrio, ouvindo as inúmeras queixas, enquanto espera o pedido de ajuda, a partir do qual, o acolhe, afagando sua alma e lhe mostrando novas direções o intuindo a rever seus valores e reconhecer sua missão.

Então, mergulhando em si mesmo, o homem escolhe o caminho de volta, em busca do aperfeiçoamento interior, ciente da necessidade de ouvir com muita atenção as respostas às velhas questões morais. E analisando suas atitudes diárias, se aceita como é e segue se instruindo e auxiliando com amor, em favor da autorenovação.

Há que se cuidar dos pensamentos, para não se perder entre os piores sentimentos que se apoderam do homem fragilizado e desatento, incentivando-o as más atitudes.

Entretanto, a autoaceitação, sendo batalha travada do ser humano contra si mesmo, se torna um flagelo àqueles que preferem se revelar bons, cobertos pela capa da vaidade, das ilusões, do orgulho, escondidos na superficialidade, até que sejam vencidos pela verdade, expressão do amor que nos habita.

Enganar os outros é uma suposição. Pois se passando por quem não é, engana-se a si mesmo. Essa luta é constante no processo de evolução ser humano.

A abastada tecnologia atualmente, objetivando um mundo melhor, favorece-o na conquista de ótimos resultados, por exemplo, na construção de monumentos, da arquitetura exuberante,… Porém, na condução da própria vida, ele se enfrenta no descontrole das próprias ações e é levado ao insucesso no lidar com suas imperfeiçoes.  

– Me sinto perdido. Quero encontrar o caminho. Não sei o que fazer.

 Alegrar-se com o que tem, trabalhando para conseguir o que se quer, sem jamais desistir. Firme no propósito a que se destina, com disciplina e foco, sem perder a autoconfiança, reconhecendo suas habilidades, são caminhos disponíveis.

– Meu lar está em total desarmonia.

A distância aumenta entre os próximos, na medida em que o homem se dedica inteiramente ao trabalho, deixando sua marca nos belos feitos a olho nu, para obter a garantia do reconhecimento de um núcleo da sociedade, que pouco se importa com o humano, apenas o incentiva a produzir o alimento do próprio ego. E o progenitor, enquanto cria os filhos na impaciência, na intolerância, na violência psicológica e até mesmo física, orgulhosamente age como um ditador, destruindo lentamente o próprio lar, onde se tornam cada vez mais raros os momentos de alegria.

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Somos geradores, do bem ou do mal, dependendo da nossa sintonia. Um ambiente harmônico é responsabilidade de todos. Na convivência o respeito é injeção de tolerância e paciência. A partir do diálogo, buscar a compreensão das atitudes, da situação, para transformar juntos, dividindo e cooperando, em todos os sentidos e envolver-se no bem, fazendo o melhor pelo outro, praticando o amor em doses diárias, gera harmonia entre todos.

No dividir, no compartilhar, mesmo estando longe fisicamente, o abraço espiritual nos conforta e é a maior caridade a ser praticada em certos momentos.

-Meu trabalho não me agrada em nada. Preciso melhorar financeiramente, antes que percebam minha possível falência…

O trabalho é sempre bênção para sobrevivência. É fundamental agradecer pelo que possui agora, aceitar as próprias limitações e se dedicar às atividades propostas, se fortalecendo na direção do projeto que realmente deseja realizar.  Assim, perceberá que essa é a contribuição necessária no momento, para o progresso e que através dela, outros caminhos poderão se abrir e exigirão novas escolhas, como aproveitar uma oportunidade de crescimento profissional, no desenvolver o próprio dom.

As preocupações e o medo de parecer frágil atordoam a mente, geram ansiedade e angústia e bloqueiam a criatividade, revelando um desequilíbrio nos atos praticados irracionalmente, além de promover doenças fisicas.

– Estou impaciente, não consigo me concentrar, meu relacionamento em nada me acrescenta. Não quero magoar ninguém!

Cada dia um novo caminho, uma nova etapa no processo de reconhecer-se.  Continuar num relacionamento, por exemplo, onde não há reciprocidade, para evitar mágoas, se deixando levar pela vaidade, segurando o outro do seu lado, seria se definhar num labirinto de tormentas, considerando que vida a dois, é somar vivências, experiências e dividir alegrias e verdades, mas somos seres humanos e, portanto imperfeitos. Nesse caso, promover um diálogo aberto e sincero entre ambos, certamente os ajudará.

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Começar o dia agradecendo, também. 

Abrir os olhos da consciência, afirmando a crença no poder que nos move. Observar as grandezas do Criador, concentrando-se nos detalhes da natureza que nos abraça nos favorecendo com a percepção da própria respiração, acalmando nossa mente e beneficiando a memória, aguçando os sentidos, com o objetivo de tocar a alma e extrair dela a esperança que desperta a boa vontade pra seguir praticando o bem em favor da vida.

É comum esconder-se por traz de sorrisos, palavras bonitas, quando o ideal seria admitir-se fragilizado e entender que as provações são oportunidades de melhorar-se. Incomum é aceitá-las, sem reclamar.

Há momentos na vida em que o homem é solicitado a falar de si. Ajeita então a capa da mentira e discorre em autoelogio disfarçado, em algum defeito nada ofensivo, e vai saindo pela tangente para não se revelar.

E assim, evitando olhar para o passado, tentando camuflar o presente, segue se arrastando vida à fora, por não compreender que a solução está no aceitar-se com é.

O sofrimento aniquila o homem que se dobra com o peso do orgulho, das mágoas, do preconceito, do egoísmo, do ressentimento e de tantos outros sentimentos destrutivos. Ergue barreiras imensas com o aval do medo e da insegurança. Tornam cativos de si homens maduros, jovens saudáveis, todos aparentemente bem sucedidos e abastados de conhecimento. Angustiado, clama aos céus e o Criador se faz sentir, aliviando as dores e intuindo novas escolhas.

E ele encontra a única chave para acessar o  conhecimento de si e reconhecimento do outro, primeira lição no caminho da evolução moral, descrita na lei do Divino: amai-vos e instrui-vos.

O caminho é estreito e árduo na compreensão da vida que se leva, mas oferece valorosas intuições para seguir buscando a melhora física e mental, se houver dedicação e comprometimento além de disciplina nas tarefas diárias, entendendo que todo aprendizado é necessário para evoluir.

Há que se cuidar dos pensamentos e evitar futilidades para não se perder entre os piores sentimentos que se apoderam do homem fragilizado e desatento, incentivando-o as más atitudes.

– Gosto de fazer o bem. Sempre fiz e faço tudo pelos outros. A questão é por que os outros nada fazem por mim? Incomodam-me as lembranças de tanto tempo dedicado para agradar e nada receber em troca. Não entendo. Quando terei um retorno de tanto trabalho, tanta doação?

Sente-se bem enquanto doa e muito mal por nada receber. Se não há amor no que faz pelo outro, muito menos por si mesmo. Amor e caridade são virtudes que se completam e se revelam no ato de auxiliar. Não escolhem forma e nem esperam nada em troca.

Mas, tudo é esclarecido a seu tempo. E o doador descobre boquiaberto, o bem que praticou, quando vê literalmente a felicidade no semblante e o agradecimento sincero pela benção recebida, na voz emocionada do irmão carente. E entende quanto maior poderia ter sido o beneficio por toda essa dedicação, se estivesse nela por inteiro, sem cobranças, apenas por amor ao próximo.

– Me sinto preso em algum lugar. Não sei o que se passa comigo. Tenho pensado muito e não consigo entender, onde foi que errei. Entre tantas despedidas, conseguirei fazer algo de bom?

Ligado a alguma situação do passado o homem vem caminhando mentalmente, entre o que devia ter feito e o que deve fazer por si mesmo e descobre, com a pandemia, o quanto é efêmera a vida. Aceitando a ajuda da Espiritualidade, escolhe libertar-se, reage às dores ocultas e encontra a paz que tanto procurava. Imbuído pelo desejo de mudar a própria vida, segue cheio de esperança, na certeza de que há solução pra tudo. Descobre também, que não se conhece nem reconhece o outro, se desviando de si mesmo.

Quanta provação se vive por escolhas erradas, baseadas no olhar do outro e não no que pode verdadeiramente se fazer feliz.

Na vaidade, nicho específico e ricamente decorado no interior do ser, onde se sentem mais seguros e convencidos de que ninguém vai perceber suas fraquezas, derrotas, inglórias, medos, mal feitos, frustrações, incapacidade de perdoar e de pedir perdão e suas descrenças, ele se acomoda. Enquanto isso tenta descansar o físico, visto que a mente continua no emaranhado dos pensamentos, comprometida a esconder suas verdades no presente. E no corpo explode fétida ferida, nutrida e repisada na alma.

No orgulho, se deleita com certos prazeres e autoafirmações, perdido nas ilusões cultivadas no fundo dos desejos de ser melhor que o outro em tudo, escondido na não aceitação de seus erros e fracassos, protegido pela vaidade.

No egoísmo, segue acumulando, se vangloriando, para satisfazer o ego.

Esses sentimentos revelam aquele que quer ser o que não é. Portanto, guarde-se de si mesmo pra não machucar o outro e siga, consciente de seus atos, trabalhando no bem.

E para obter alívio, sono tranquilo e paz na alma, é preciso agir no sentido e com o propósito de conhecer-se.

Em cada passo uma superação.

Em pandemia, fomos tomados por um controle sobre-humano dos acontecimentos e por isso vivemos a constante preocupação em nos manter vivos. Fomos levados a relembrar que dependemos uns dos outros e para sempre, por estarmos invisivelmente ligados ao universo do Criador.

Graças aos profissionais da saúde, que atuaram e ainda atuam na linha de frente, estamos aqui, conscientes do nosso dever em seguir os protocolos, pela preservação da vida.

Hoje compreendemos melhor que respirar é uma dadiva e que se manter no bem é se revelar em estado de gratidão.

Reconhecemo-nos salvos pela Ciência, que inspirada pelo Divino, produziu a Vacina pra combater o coronavírus, o que aumenta a Esperança  de continuarmos vivos.  E se nos aceitarmos afinal, como irmãos, resgatando o amor ao próximo, ensinamento que nos abre caminhos para a evolução moral, certamente,  sairemos dessa pandemia bem melhores e mais humanos.

Na tão conhecida frase, “Gentileza gera gentileza”, acreditamos nessa verdade, quando a intenção não é essa, por entendermos que “ser gentil” independe da resposta alheia. É uma questão de caráter.

O homem de bem, pensa antes de falar e não espera reações, age simplesmente a certas provocações. Sem julgamentos. Consciente que é seu dever. Não espera que o outro  decida por ele a sua forma de agir.

História

Havia numa pequena cidade um homem conhecido por “esquisito”, que estava sempre a causar polêmicas.

Por não corresponder às gentilezas dos moradores, passou a ser observado por um sábio que fixara residência no mesmo lugarejo.

Certo dia, em sua caminhada matinal com seus alunos, passou pelo homem que trazia uma sacola abarrotada de compras, quando um dos produtos caiu no chão. Imediatamente o sábio o recolheu e o entregou ao homem, cumprimentando-o gentilmente.

Mestre – Bom dia, senhor! Aqui esta…

Mas o homem pegou o pacote rispidamente e seguiu sem sequer olhar para o mestre.

Sem entender as atitudes daquele homem, os alunos inconformados, se colocaram na frente do mestre que parou calmamente ali, no meio do caminho e olhando bem nos olhos de cada um deles, ouvia com paciência, as questões que os afligia.

Aluno – Que absurdo! Sabemos que ele fala e ouve normalmente… E o senhor ainda lhe deseja um bom dia, mestre?

Aluno – E ele nem o olhou! Um grosseirão! Além de muito “esquisito” mesmo.

Aluno – Eu também não entendi a sua atitude mestre.

Mestre – Simples. Conhecemos bem aquele homem e sabemos que ele não vai mudar. Permanecerá do mesmo jeito, sempre.

Aluno – Então? Por isso mesmo não entendo mestre. Sempre o trata com tanta delicadeza e o tal nem se meche em agradecimentos.

Mestre – Devemos nos igualar a ele?

Aluno – Nem pensei nessa possibilidade, mestre. Mas,..

Mestre – Deixar então que ele nos diga como devemos agir?

É fundamental sabermos o momento de Agir ou Reagir, cientes que são ações que nos revelam.   

Temos o poder da escolha.

EFIGÊNIA ARMENDANI, é atriz, contadora de estórias e orientadora espiritual . Desenvolve trabalho de arte cênica em grupos de teatro do cenário paulista . Como contadora de estórias, desenvolve um trabalho junto ao público infantil em bibliotecas e espaços culturais. Como orientadora  espiritual  atua na Casa Dr. Airton Nogueira em necessidades diversas .

2 comentários em “Espiritualidade

  1. É sempre muito bom e gratificante refletir sobre os textos trazidos pela nossa irmã Efigênia. Tantas questões importantes que deixamos para depois, tantos enganos que mantemos por comodismo… Esse texto é um convite ao bem que existe em nós e no próximo, basta aceitar! Gratidão 🙏

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